Marcelo
Campanha(*)
A farmácia
de manipulação é um segmento que vem
se destacando no cenário de medicamentos brasileiro,
sendo o ramo da profissão que mais cresce nos últimos
anos.
É também um dos ramos que mais emprega farmacêuticos
no Brasil e que melhor os remunera. Se não bastasse,
exige do profissional intensa e constante atualização
e aperfeiçoamento. Basta ver o crescimento dos cursos
de especialização na área e o nível
de exigência do mercado.
Em relação ao produto industrializado, o medicamento
manipulado apresenta muitas vantagens e algumas limitações,
que citaremos a seguir.
Entre as vantagens que a manipulação pode
oferecer ao seu usuário, pode-se citar:
1. Adequação da dose às necessidades
do paciente (Individualização da dose): o
profissional prescritor pode adequar a dose do medicamento
para cada paciente individualmente, não tendo que
necessariamente seguir as doses padrões da indústria
farmacêutica. Isso permite maior liberdade e flexibilidade
ao prescritor e benefícios ao paciente que não
necessita ingerir doses maiores do que a necessária,
por exemplo, de determinado medicamento;
2. Adequação da quantidade às necessidades
do apciente (Quantidade exata a ser usada): na manipulação
o médico ou dentista pode prescrever um medicamento
na quantidade exata que o paciente necessita. O que ocorre
com o medicamento industrializado é que suas embalagens
são padronizadas, sujeitando o paciente a adquirir
muitas vezes uma quantidade de medicamento que não
vai ser usada na sua totalidade. Isso aumenta o custo final
do tratamento, comprometendo o já combalido orçamento
da maioria do povo brasileiro;
3. Confiabilidade/Qualidade da matéria-prima: com
os recentes escândalos envolvendo a indústria
farmacêutica no Brasil no tocante à confiabilidade
do medicamento produzido, a farmácia de manipulação
adquiriu muito respeito e confiança da classe prescritora.
Na manipulação, seja pela proximidade que
a farmácia tem com a comunidade, seja pelo compromisso
com a qualidade do medicamento, seja pelo serviço
de orientação farmacêutica que a classe
apresenta, a farmácia de manipulação
ganhou muito espaço, aliado à qualidade da
matéria-prima que é submetida a um controle
de qualidade constante.
4. Custo diminuído do tratamento: como a indústria
tem altíssimos custos com a pesquisa e desenvolvimento
de um novo fármaco, além de outros custos
que não valem a pena serem aqui citados, a farmácia
de manipulação consegue diminuir bastante
o preço final de um determinado medicamento comparado
com o de referência ou de marca. Isso com certeza
é um beneficio para o paciente e um atrativo para
a farmácia, embora deva-se ressaltar que tal característica
deve ser sempre acompanhada da qualidade do produto final;
5. Oferta de medicamentos indisponíveis no mercado:
essa é uma outra vantagem da farmácia de manipulação
– propiciar ao médico/dentista a possibilidade
de estar prescrevendo um medicamento ora indisponível
no mercado varejista farmacêutico, onde a indústria,
normalmente por motivos financeiros, não se interessa
em produzir. A farmácia de manipulação
consegue, na maioria das vezes, disponibilizar o fármaco
para o tratamento do paciente;
6. Associação de fármacos numa mesma
fórmula: outra grande vantagem da manipulação.
Hoje está cada vez mais em voga o uso de medicamentos
cuja associação a indústria não
oferece ao mercado. Nas áreas da psiquiatria, cardiologia,
dentre outras, pode-se observar um número crescente
de medicamentos associados numa única fórmula
– isso facilita a administração do mesmo
pelo paciente, diminuindo, por exemplo, o número
de cápsulas a serem ingeridas.
7. Assistência farmacêutica em horário
integral
Dentre as
limitações no uso do medicamento manipulado
em comparação com o industrializado, pode-se
destacar:
1. Medicamentos sob patente: muitos medicamentos novos estão
indisponíveis para manipulação, visto
que estão protegidos pela lei de patente, que impõe
um prazo determinado de tempo para que a droga seja disponibilizada
para o comércio.
2. Tecnologia avançada: a indústria tem investido
muito em novas tecnologias na produção de
medicamentos, tecnologias essas indisponíveis para
as farmácias de manipulação, que por
conseguinte, não consegue oferecer ao mercado.
(*) Farmacêutico-Bioquímico, Especialista em
Manipulação Magistral Alopática, Farmácia
Homeopática, Farmácia Hospitalar e Administração
Hospitalar. Professor de Farmácia Homeopática
do curso de Farmácia da Faculdade de Filosofia Ciências
e Letras de Alegre-ES (FAFIA).
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